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Voar mais alto - por Pedro Vieira

23 de Setembro de 2020
Créditos de imagem: Adobe Stock

"Desde que investi mais a sério no estudo do funcionamento do cérebro humano, tornei-me mais sensível à importância deste exercício e constatei na primeira pessoa o quão transformador é ampliar o conhecimento nesta área de estudo."

Tenho imensas saudades de passar horas num aeroporto à espera de voo!

 

Eu sei que pode parecer estranho, porque a maior parte das pessoas agoniza com o tempo passado entre check-in, verificação de bagagens ou embarque, mas para mim todo este espaço de tempo é fascinante, porque considero os aeroportos um magnífico laboratório vivo do comportamento humano.

 

Adoro “estudar” as pessoas e aproveito cada minuto passado no aeroporto para observar atentamente a forma como as pessoas se comportam, como reagem nas diferentes etapas, como lidam com a ansiedade, como interagem num contexto - regra geral – de estimulação permanente, que exacerba emoções e revela características que na sua zona de conforto poderão conseguir camuflar.

 

Experimente fazer isto um dia. É formidável!

 

Não confunda, no entanto, este exercício de observação com mero voyeurismo, vazio de interesse profissional ou mesmo científico. Aprendo mais na observação atenta das pessoas num cenário informal, sem saberem que estão a ser observadas, do que em muitos livros técnicos.

 

Evidentemente não equiparo o empirismo desta experiência às evidências científicas das observações laboratoriais, mas fascina-me a possibilidade de poder confirmar ou questionar vários conceitos aprendidos em anos de leitura, estudo e aplicação prática do conhecimento neurocientífico, através do aproveitamento desses momentos para uma análise focada no comportamento humano nesse cenário.

 

O aeroporto é um sítio único pelo manancial gigantesco de informação diversa que recolhemos num curto espaço de tempo, mas extrapolando para o nosso dia-a-dia este exercício, arrisco dizer que na generalidade não aplicamos tempo suficiente a estudar o outro. A escutar, observar, analisar.

 

No bulício das nossas tarefas e preocupações diárias esquecemo-nos de dedicar tempo a “ver” os outros, tentar interpretar o que sentem e estabelecer empatia.

 

Esse tempo consagrado a perceber o ser humano diante de si é um exercício que recomendo que cultive nas suas relações quotidianas, familiares, sociais ou profissionais, principalmente em tempos tão extraordinários como os que hoje vivemos.

 

Desde que investi mais a sério no estudo do funcionamento do cérebro humano, tornei-me mais sensível à importância deste exercício e constatei na primeira pessoa o quão transformador é ampliar o conhecimento nesta área de estudo.

 

Aprendi, entre outras coisas, a lidar melhor com as birras dos meus filhos, a compreender e aceitar melhor diferentes estados de espírito e opiniões de familiares e amigos, a fazer apresentações corporativas com maior impacto, a negociar melhor, influenciar mais ou a tomar decisões mais rapidamente.

 

O ser humano é maravilhoso, o cérebro humano uma estrutura extraordinária e merecem que lhes dedique um pouco mais do seu tempo, quer sonhe com altos voos ou simplesmente se quiser tornar-se um melhor pai, filho, amigo ou profissional.

 

De certeza que se vai sentir a voar mais alto na sua vida e - como bónus - sentirá que as horas de espera no aeroporto passarão muito mais rápido.

 

Artigo publicado na Revista DO it! 35

"Desde que investi mais a sério no estudo do funcionamento do cérebro humano, tornei-me mais sensível à importância deste exercício e constatei na primeira pessoa o quão transformador é ampliar o conhecimento nesta área de estudo."

23 de Setembro de 2020
Autor:

Pedro Vieira

Marketing Director na Zome
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