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Tecnologia: tão essencial como o oxigénio

07 de Dezembro de 2020
Créditos de imagem: zome.pt

"Tecnologia que humaniza será sempre o foco dos projetos em que estamos envolvidos e que acreditamos ser o futuro próximo da tecnologia no imobiliário."

Quando foi a última vez que carregou um contacto para uma folha de Excel, fez um estudo de mercado a consultar - um a um - dezenas de sites imobiliários ou desenhou um flyer promocional numa qualquer aplicação do Office?

 

Se a sua resposta for “ontem” ou mesmo no espaço de um ano ou dois, tenho muito más notícias para si. Está a ficar demasiadamente longe da linha da frente do setor da mediação imobiliária e corre o risco de ser considerado obsoleto pelos clientes atuais.

 

O mundo tecnológico avançou tremendamente (hoje conseguimos reservar uma casa com um simples clique online com o Zome NOW, por exemplo), e a qualquer profissional do setor são indispensáveis um sem número de ferramentas tecnológicas que o ajudam na comunicação com os seus clientes, na divulgação massiva dos seus imóveis, na gestão do seu negócio e na simplificação dos processos.

 

A tecnologia está de tal forma presente no setor, que está a atrair cada vez mais a atenção de empresas de base tecnológica, que têm apresentado novas soluções ao mercado.

 

A corrida ao “El Dorado” tecnológico, com uma ferramenta disruptora que venha revolucionar de vez o mercado, já começou há uns anos, mas está ainda no seu início.

 

Muitas auto-designadas “Uber do Imobiliário” têm surgido nos últimos anos, prometendo uma revolução no setor, assente na aplicação de inteligência artificial, big data e outras tendências tecnológico com que já nos habituamos conviver.

 

O potencial de aplicação da tecnologia tem crescido de forma brutal nos últimos anos e efetivamente a inteligência artificial, big data e machine learning entraram no nosso discurso diário, abrindo-se todo um novo universo para o desenvolvimento de inovadoras soluções.

 

Tenho por isso imenso respeito por quem tem esse espírito pioneiro, visionário e que se empenha no desenvolvimento destas novas soluções aplicadas ao imobiliário.

 

Fico sempre entusiasmado quando se fala de novas soluções tecnológicas, no entanto, analisando vários projetos comumente designados de proptech, tenho registado que a grande maioria tem falhado.

 

Um dos motivos que me parece mais evidente para esse desfecho é a de que muitos negligenciam o facto de a compra e venda de um imóvel ser complexa do ponto de vista burocrático, ter imensas variáveis no negócio e ser – regra geral – a transação mais importante da vida de uma pessoa ou família.

 

Daí a necessidade do cliente se sentir acompanhado por alguém experiente, que humanize a transação e garanta a segurança da mesma, apoiando-o com o seu know-how, ferramentas e equipas técnicas de suporte.

 

É aí que reside o verdadeiro valor e não numa simples plataforma transacional, que elimina grande parte dos custos associados, oferecendo a promessa de comissões mais baixas.

 

A ideia simplista de que o cliente está interessado somente no baixo custo da operação é falaciosa, na medida em que há algo que o cliente valoriza muito mais, que é a segurança de um bom aconselhamento, de uma gestão integral do processo e da confiança gerada pelos intervenientes humanos no negócio.

 

Por outro lado, um modelo de negócio de baixo valor unitário de proveitos tem de ser rapidamente massificado, sob pena de ser engolido por uma estrutura de custos que é cada vez mais elevada, dada a complexidade de sistemas necessários para gerir a quantidade massiva de dados gerados.

 

Ora esse é outro obstáculo evidente, dado ainda ninguém ter conseguido a fórmula para uma adesão massiva à compra e venda de imóveis sem a intervenção humana, ainda que de forma remota.

 

Atrevo-me a dizer que a tecnologia é tão essencial como o oxigénio hoje em dia. Estamos cada vez mais dependentes dela e é um fator crítico de sucesso para qualquer profissional, mas acredito que ela só é verdadeiramente transformadora se tiver em linha de conta as reais necessidades do mercado e tiver o condão de continuar a apoiar-se no fator humano, potenciando-o para altos níveis de profissionalismo e produtividade.

 

A tecnologia revoluciona comportamentos, abre novos horizontes e faz florescer todo um novo mundo de oportunidades de negócio. Porém, a visão centrada unicamente no aspeto técnico do potencial tecnológico em si mesmo e na mimetização de fórmulas de sucesso de outros setores parece-me redutora e condenada ao fracasso no curto prazo.

 

O caminho será sempre, na minha perspetiva, utilizar todo o potencial tecnológico dos nossos dias para facilitar as relações humanas, empoderando os profissionais do setor. Tecnologia que humaniza será sempre o foco dos projetos em que estamos envolvidos e que acreditamos ser o futuro próximo da tecnologia no imobiliário.

Artigo publicado na Revista Real Estate.

"Tecnologia que humaniza será sempre o foco dos projetos em que estamos envolvidos e que acreditamos ser o futuro próximo da tecnologia no imobiliário."

07 de Dezembro de 2020
Autor:

Carlos Santos

CTO - Chief Technology Officer
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