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Todos devem evitar o glúten. Será?

21 de Janeiro de 2020

Ultimamente tem-se falado de hábitos alimentares que não incluem glúten. Mas será que o glúten deve ser evitado na nossa alimentação? Descubra tudo neste artigo!

MITO: Todos devem evitar o glúten.


VERDADE: Todos os doentes celíacos, e não a população em geral, devem excluir os alimentos que contenham glúten.

 

O glúten diz respeito a um conjunto de proteínas vegetais que conferem capacidade de absorção de água, viscosidade e elasticidade às farinhas que as contêm. As proteínas do glúten são ricas em prolinas e glutaminas, as quais são deficientemente digeridas ao nível do trato gastrointestinal, sendo a gliadina a principal componente tóxica para indivíduos susceptíveis.

Doença celíaca

A doença celíaca costuma dar os seus primeiros sinais entre o primeiro e terceiro ano de vida, período em que muitos dos cereais são introduzidos na dieta das crianças, mas há alguns casos em que só acontece na vida adulta, quando o indivíduo já apresenta carências nutricionais graves, pela falta de sintomas específicos.

 

Entre os sintomas mais frequentes estão:

 

  • diarreia prolongada (mais de 3 semanas);
  • desconforto abdominal;
  • vómitos;
  • irritabilidade;
  • falta de apetite;
  • má progressão de peso;
  • atraso de crescimento;
  • obstipação.

Como é feito o diagnóstico?

Nos últimos anos fala-se um pouco mais da dieta sem glúten, mas não necessariamente da doença celíaca, isto porque algumas celebridades fizeram saber publicamente que são adeptas de hábitos antiglúten, o que acaba por ter uma influência significativa nas pessoas. Importa recordar que a suspeita da presença da doença com base nos sintomas, não é suficiente para estabelecer o diagnóstico definitivo.

 

Os critérios para diagnóstico da doença celíaca estão definidos há vários anos e são periodicamente revistos. Estes passam pela realização de testes sanguíneos (determinação de anticorpos específicos para a doença celíaca) e confirmação com biópsia jejunal.

Tratamento

O único tratamento cientificamente provado para a doença celíaca consiste em efectuar uma dieta isenta em glúten, que tem de ser cumprida de forma rigorosa durante toda a vida. Há evidência de que pequenas quantidades de glúten na dieta não causam qualquer sintoma imediato no paciente, embora lesem a mucosa intestinal, aumentando o risco de algumas doenças.

 

Os doentes com doença celíaca apresentam um risco de cancro 1,3 vezes superior comparativamente à população em geral. Os cancros reportados incluem linfomas non-Hodgkin das células T e B, que podem ser intestinais ou extra-intestinais, adenocarcinomas orofaríngeo e esofágico, bem como cancros do intestino delgado e grosso, do sistema hepatobiliar e pâncreas.

Dieta isenta de glúten

 

A dieta isenta de glúten baseia-se na exclusão dos cereais trigo, cevada, centeio e aveia (ainda que seja isenta de glúten é frequentemente plantada nos mesmos terrenos e processada nas mesmas máquinas que outros cereais, podendo ocorrer contaminação cruzada) da alimentação. Para além das fontes óbvias como o pão, as tostas, as massas ou os produtos de confeitaria e pastelaria, o glúten pode encontrar-se numa grande variedade de outros produtos alimentares, nomeadamente molhos e temperos, sopas instantâneas, sobremesas, cafés e chás aromatizados, queijos fundidos, produtos à base de carne (por exemplo, produtos de charcutaria), de pescado ou frutos do mar (por exemplo, panados de peixe).

 

Qualquer referência na rotulagem aos cereais proibidos e aos seus derivados ou designações como, por exemplo, espessantes, malte, extracto de malte, amido modificado, emulsionantes, estabilizantes, proteínas vegetais, proteínas vegetais hidrolisadas, goma vegetal devem levar os doentes celíacos a rejeitar o produto.

 

Nos últimos anos, a oferta e a variedade de alimentos específicos sem glúten têm aumentado, incluindo, pão, tostas, bolos, bolachas, pizzas, massas, sobremesas, refeições pré-cozinhadas e também farinhas adequadas para confecção caseira.

 

Reconhece-se, actualmente, que a doença celíaca pode ser diagnosticada em qualquer idade e que afecta múltiplos sistemas de órgãos. Embora não se conheça a sua real prevalência, estima-se que, em Portugal, afecte quase 1% da população, sabendo-se, todavia, que existirão vários casos por diagnosticar.

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Ultimamente tem-se falado de hábitos alimentares que não incluem glúten. Mas será que o glúten deve ser evitado na nossa alimentação? Descubra tudo neste artigo!

21 de Janeiro de 2020
Autor:

Eunice Jorge - Nutricionista

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