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Euribor segue negativa até 2024

17 de Setembro de 2019
Foto: José Fernandes - expresso.pt

Futuros apontam para taxas a rondar -0,4% no verão de 2014. Regresso a valores positivos só mais tarde.

Não se esperam nos tempos mais próximos alterações no ambiente financeiro em que bancos, empresas e famílias europeias vão viver. As taxas de juro Euribor do mercado interbancário, que servem de referência aos empréstimos bancários e a muitos outros contratos financeiros, estão negativas desde 2014 (nesse ano ainda só nos prazos mais curtos) e assim vão continuar pelo menos mais cinco anos. É essa a expectativa nos mercados financeiros onde os contratos de futuros sobre a Euribor a três meses, que servem para fixar taxas futuras, apresentam valores negativos até junho de 2024. E o mais provável é que, se nada mudar, a tendência possa continuar mais tempo.

 

O último contrato disponível para negociação neste momento aponta para uma Euribor a três meses de -0,4%, um valor ainda longe da tona de água. Aliás, as taxas Euribor implícitas nos contratos de futuros têm diminuído desde o início do ano, à medida que os sinais de abrandamento da economia se foram acumulando e aumentou a probabilidade de o Banco Central Europeu (BCE) avançar com novos estímulos monetários.

 

A próxima reunião do BCE está marcada para 12 de setembro, e nos mercados espera-se que Mario Draghi anuncie novas medidas, nomeadamente uma descida da taxa negativa dos depósitos, atualmente em -0,4%, até o regresso da compra de ativos que terminou no final de 2018. Certezas não há, mas os sinais têm sido muitos, e é nisso que os investidores estão a apostar. Os efeitos são visíveis não apenas nas taxas do mercado interbancário mas também nas taxas (yields) da dívida pública cujos valores negativos se continuam a alastrar. A Alemanha, o porto seguro dos investidores, tem neste momento yields negativas para todas as suas obrigações que vão até aos 30 anos.

 

Este ambiente de taxas ‘zero’ ou negativas ajuda quem tem dívidas, como é o caso do Estado e das famílias portuguesas, mas afeta o retorno de quem tem poupanças de menor risco e complica também a vida dos bancos, cujo principal negócio é precisamente ‘comprar e vender’ dinheiro. Mesmo que, num primeiro momento, a banca tenha beneficiado com a valorização das suas carteiras de obrigações por causa da entrada do BCE no mercado, esse efeito tem-se diluído e, ao mesmo tempo, a margem financeira tem sido afetada.

Futuros apontam para taxas a rondar -0,4% no verão de 2014. Regresso a valores positivos só mais tarde.

17 de Setembro de 2019
Autor:

João Silvestre

Notícia Expresso.pt
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